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O defensor inabalável de Michel Temer

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Reinaldo Azevedo tinha grande admiração por Paulo Francis. Em uma das redações que dirigiu, me contaram, Reinaldo havia colocado em sua sala um quadro de proporções generosas, em homenagem a Franz Paul Trannin da Matta Heilborn, nome este que o diretor teatral Paschoal Carlos Magno achava longo demais e sugeriu encurtar para Paulo Francis.

Sou ouvinte regular, nem sempre fiel, da Band News FM. Por volta de 7h15, Reinaldo Azevedo dá o ar da graça e inicia sua metralhadora giratória. O estilo é parecido com o de Francis. Alinha uma série de argumentos e fatos, nomes e citações filosóficas, curvas e retas, chutes e caneladas, busca sempre surpreender o ouvinte, de tal maneira que você não sabe se ele está falando contra ou a favor. Vai e volta. Recarrega a metralhadora. Dispara, dispara e dispara.

Depois de ouvi-lo durante toda esta semana, cheguei a uma conclusão brilhante: o presidente Michel Temer tem um defensor inabalável, fiel, destemido, corajoso, irritado. Ele defende tanto o pr…

A Redação da FT - "o Império do Mal"

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Depois de seis anos tinha saído do Diário Popular e estava sem emprego. Era 1990, com Collor, "caçador de marajás", na Presidência. Fui falar com meu amigo, o escritor Wladyr Nader, que editava o caderno de Cultura da Folha da Tarde.

Conhecia o Wladyr desde os anos 70 quando tive um livro finalista, em um curso promovido pela Revista Escrita, da Editora Vertente, que ele dirigia. Em 1977, Wladyr precisava de um redator e cheguei a trabalhar alguns meses para a Vertente, antes de a editora entrar no vermelho.

Wladyr era ousado. Como editor de Cultura da FT, publicou uma entrevista com o autor "maldito" Glauco Mattoso, saindo com a manchete, que dizia mais ou menos o seguinte: "Escritor diz que gosta de chulé de homem". Deu o que falar.

A FT, criada em 1967, tinha um passado nebuloso, apoiando o golpe militar e até mesmo "prevendo" mortes de guerrilheiros, antes mesmo que elas acontecessem. Nos anos 90, o jornal era outro. Aproveitava basicament…

A mulher por trás da cura gay

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O foco da polêmica sobre a "cura gay" está equivocado. As câmeras voltam-se para a decisão judicial, quando deveriam apontar para a origem do problema. A psicóloga carioca Rozangela Alves Justino, CRP 05/4917, entrou na Justiça, depois de ter sido chamadas às falas, em 2009, pelo Conselho Federal de Psicologia. Rozangela deseja "garantir o direito das pessoas de deixar a homossexualidade". Ela afirma ser um "direito constitucional" de toda biba deixar de ser biba.

A Justiça pela caneta do juiz federal Waldemar Cláudio de Carvalho concedeu uma liminar, permitindo o "aprofundamento de estudos científicos". O magistrado entendeu que a proibição do Conselho Federal de Psicologia impedia a investigação da sexualidade humana.

O título de psicóloga de Rozangela, na realidade, oculta sua vocação de fato. Ela é religiosa, missionária. Segundo o site The Intercept, Rozangela está lotada no gabinete do deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), recebendo R$ 3…

San Junipero - a eternidade insuportável

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A mídia jogou os holofotes sobre a recente premiação do Emmy Awards (um desses prêmios que injeta divulgação nos produtos norte-americanos de entretenimento). Para deleite quase majoritário, o filme San Junipero da 3ª temporada de Black Mirror saiu com duas premiações: melhor filme feito para TV e melhor roteiro e minissérie.

As atrizes Gugu Mbatha-Raw e Mackenzie Davis, que fazem o par romântico do episódio, posaram felizes com seus vestidos de gala. Mackenzie, que tem nome de instituição de ensino direitista da rua da Consolação, usava um tomara-que-caia verde e branco que combinava mal com os sapatos de salto alto rosa choque.

O roteiro de San Junipero é atraente por ocultar por uma meia hora o que está por trás do romance entre as duas garotas. Gugu, que tem nome de apresentador de TV, é a extrovertida Kelly que sai na noite para se divertir com homens e mulheres. Mackenzie é a introvertida Yorkie, que sente atração por mulheres, mas não consegue sair do armário.

Na meia hora seg…

A Redação do Dipo (12)

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A redação romântica do Diário Popular começa a desaparecer em 1988, quando o jornal é vendido para Orestes Quércia. Quércia era governador de São Paulo e desmentiu várias vezes ser o real proprietário da publicação. Para todos os efeitos, quem havia comprado o Dipo era Ari de Carvalho, de O Dia. O Estadão dizia que não, não era verdade que Ari de Carvalho fosse o proprietário do Dipo. Seu proprietário era o governador Orestes Quércia, afirmava o jornal, que elencava uma série de denúncias de corrupção contra o governador paulista.

O fato é que os cariocas de O Dia ocuparam a Redação. Naquele ano, o general Moziul Moreira Lima perde o cargo de diretor de Redação, que passa a ser ocupado por Jorge Miranda Jordão. Jornalista experiente, bem rodado, com passagens por várias redações, Miranda transformaria o Dipo em uma cópia piorada da Última Hora.

Centralizador, autoritário, ditatorial, Miranda foi cortando várias cabeças. Oswaldo Faustino, que editava Cultura, foi um deles. Fui convida…

A Redação do Dipo (11)

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Em 1987, quando nasceu meu segundo filho, eu trabalhava em três redações. Entrava às 7h na TV Gazeta para ler os jornais do dia e produzir "cabeças" (resumos das principais notícias) que seriam debatidas no programa, liderado por Alberto Helena Jr. Saía da televisão ao meio dia e corria para o Diário Popular, onde entrava às 13h (na época, o "expediente" do jornalista era de cinco horas). À noite, lecionava jornalismo no então Instituto Metodista de Ensino Superior, em São Bernardo do Campo (hoje Universidade Metodista de São Paulo).

Era uma vida corrida e satisfatória. Gostava do que fazia. Vivia o jornalismo 24h por dia, sempre atento a tudo, notícia circulando na veia. Foi mais ou menos por essa época que passei a trabalhar na editoria de Cultura, comandada por Oswaldo Faustino. Figura gentil e carinhosa, militante do movimento negro, Faustino também tinha uma vida complicada. Dava expediente na madrugada, como plantonista de Polícia, para o Estadão. Escrevia l…

A Redação do Dipo (10)

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A Ditadura Militar não terminou de maneira explosiva como a Queda da Bastilha. Foi morrendo aos poucos, definhando, apodrecendo em praça pública. A população fazia sua parte e ia para as ruas apoiar o movimento Diretas Já. Os comícios em prol das Diretas juntavam milhares de pessoas. A TV Globo, como sempre, minimizava os comícios, alterava a realidade, como os vilões do best-seller de George Orwell.

Em janeiro de 1985, Tancredo Neves foi eleito presidente, derrotando o candidato do regime militar, Paulo Maluf, em eleição indireta pelo Colégio Eleitoral. O mandato seria de seis anos.

Depois de 21 anos de Ditadura - que fracassou como projeto político social, econômico, cultural - a população brasileira teria um presidente civil. Mesmo eleito de forma indireta, Tancredo ganhou o apoio popular e parecia que o País entraria em uma rota de crescimento e prosperidade. Um País mais livre, soberano, democrático, renascido.

Deu tudo errado. Na véspera da posse, em Brasília, Tancredo era subm…